
A noite tem olheiras
Na noite que não adormece
Alguém vasa os olhos
E corta a garganta de desespero.
Na noite que não adormece
Alguém pensa em partir
Para nunca mais voltar
Alguém volta mais triste que na partida
Na noite que não adormece
Bêbados duplicam as ruas,
Duplicam as luas,
E a única solução é a de estar bêbados.
Na noite que não adormece
Porque não deixamos,
Acontece o dia
Que nunca acorda a noite,
Porque a noite está sempre acordada,
Esperando por nós,
Homens e mulheres,
Partidos, tristes,
Alegres e desesperados.
João Bosco da Cunha Melo (Meu pai) do livro: Força Bruta